GRANDES POVOS
domingo, 12 de setembro de 2010
Os germanos ou povos germânicos são um grupo histórico de povos falantes de línguas indo-europeias, originários da Europa Setentrional e identificados pelo uso comum das línguas germânicas, que se diversificaram a partir do proto-germânico ou germânico comum durante a Idade do Ferro pré-romana. Os povos falantes de línguas germânicas da Idade do ferro romana e do período de migrações dos povos bárbaros revelam uma cultura material uniforme e crenças religiosas comuns, embora pesquisas recentes contestem a existência de um grupo étnico germânico distinto.[1]
Povos germânicos migrantes se espalharam por toda a Europa na Antiguidade tardia e na Alta Idade Média. As línguas germânicas se tornaram dominantes ao longo das fronteiras romanas (Áustria, Alemanha, Países Baixos e Inglaterra), mas nas províncias romanas ocidentais, os imigrantes germânicos adotaram os dialetos latinos (línguas românicas). Além disso, todos os povos germânicos converteram-se, ao seu tempo, ao cristianismo. Os povos germânicos exerceram uma posição de importância na transformação do Império Romano na Europa da Idade Média, contribuindo no desenvolvimento de uma identidade comum, história e cultura que transcenderam as fronteiras lingüísticas.
Várias etimologias para a designação latina GERMANI são possíveis. Como adjetivo, GERMANI é simplesmente o plural do adjetivo GERMANVS (a partir de germen, "semear, disseminar", "desdobramento"), que tem o sentido de "parente" ou "aparentado".[2] Como um etnônimo, a palavra é comprovada pela primeira vez em 223 a.C. na inscrição de Fasti Capotolini, DE GALLEIS INSVBRIBVS ET GERM, onde ela simplesmente se refere a povos "próximos" ou relacionados aos gauleses. Se o nome próprio posterior GERMANI deriva desta palavra, a referência a este uso deve ser baseada na experiência romana de ver as tribos germânicas como aliadas dos celtas.
O nome aparece sendo usado pela primeira vez com o sentido de "povos da Germania, distintos dos gauleses" por Júlio César. Neste sentido, o nome deve ser um empréstimo do exônimo celta aplicado às tribos germânicas, baseado em uma palavra para "vizinho". Uma terceira sugestão deriva a palavra diretamente do nome da tribo dos Hermunduri, que Tácito sugere possa ter sido o nome de uma tribo que mudou de nome após o domínio romano, mas não há indícios para isto.
A sugestão que deriva o nome do termo gaulês para "vizinho" leva ao irlandês antigo gair e ao galês ger, "próximo",[3] ao irlandês gearr, "uma distância curta", a partir do radical proto-celta *gerso-s, também relacionado ao grego antigo chereion, "inferior" e ao inglês gash, "corte, arranhão".[4] O radical proto-indo-europeu deveria ser da forma khar-, *kher-, *ghar-, *gher-, "corte, machucado", do qual também deriva o hitita kar-, "corte, machucado", de onde também o grego character.
Aparentemente, as tribos germânicas possuíam uma auto-denominação (endônimo) que incluía todos os povos germano-falantes e que excluía todos os povos não-germânicos. Os povos não-germânicos (principalmente celtas, romanos e gregos, os cidadãos do Império Romano), por outro lado, eram chamados *walha- (esta palavra sobreviveu em nomes como Wales (Gales), Welsh (galês), Cornwall (Cornualha), Wallons (valões), Vlachs (valáquios), etc.).
O termo genérico *þiuda- ("povo") (ocorre em muitos nomes pessoais tais como Thiud-reks e também no etinônimo dos suecos a partir do cognato do inglês antigo Sweo-ðēod) não é uma auto-designação. No entanto, o adjetivo derivado deste nome, *þiudiskaz ("popular"), foi usado em referência à língua do povo em oposição à língua latina (mais antigo exemplo registrado em 786). A palavra persiste no alemão Deutschinglês Dutch ("neerlandês"), no neerlandês Duits ("neerlandês") e Diets ("alemão") e no dinamarquês tysk ("alemão"). A partir de c. 875 os escritores latinos referem-se à(s) língua(s) germânica(s) como teutonicus ("teutônico"). Daí o uso inglês da palavra Teutons ("teutões") em referência aos povos germânicos em geral, além da tribo específica dos teutões, derrotada na batalha de Aquae Sextiae em 102 a.C. ("alemão"), no
O conceito de "Germânico" como uma identidade étnica distinta foi indicado primeiramente pelo geógrafo grego Estrabão [1], que diferenciou um grupo bárbaro no norte da Europa, que não era celta. No entanto, foi Posidônio o primeiro a usar o nome, por volta de 80 a.C. em seu desaparecido 30º livro. O nosso conhecimento disto é baseado no 4º livro de Ateneu, que em cerca de 190 citou Posidônio: "Os GERMANI à tarde servem à mesa carne assada com leite, e bebem seu vinho não diluído".
No século I, as obras de Júlio César, Tácito e de outros escritores da época indicam uma divisão dos povos germano-falantes em grupos tribais centralizados em:
Os lingüistas, trabalhando a partir das historicamente conhecidas línguas germânicas, sugerem que este grupo falava o idioma proto-germânico, um ramo distinto da família de línguas indo-européias. As características culturais da época incluem povoações pequenas e independentes e uma economia fortemente baseada na pecuária.
O deslocamento para o sul foi provavelmente influenciado por uma piora no clima da Escandinávia entre 600 a.C. e 300 a.C.. O clima quente e seco do sul da Escandinávia (2 a 3 graus mais quente que hoje), piorou consideravelmente, o que não apenas modificou dramaticamente a flora, mas também forçou as pessoas a mudar seu modo de vida e abandonar suas povoações.
Por volta dessa época, essa cultura descobriu como extrair ferro das jazidas nos pântanos de turfas. Sua tecnologia para obter minério de ferro deve tê-los ajudado na expansão para novos territórios.
A cultura germânica cresceu para sudeste e para sudoeste, sem paradas repentinas, e pode ser diferenciada da cultura dos celtas que habitavam mais ao sul nas regiões do Danúbio e Alpinas no mesmo período.
Os primeiros contatos dos germanos com os romanos ocorreram no ano 113 a.C., com derrotas para os romanos. Pouco depois, o general Mario mudou muito o exército e conseguiu algumas importantes vitórias sobre os germanos, de estatura muito superior aos romanos. Júlio César (século I a.C.) escreveu alguma coisa sobre os germanos. Nesse período, as tribos germânicas viviam em aldeias rudimentares, praticando uma economia comunal baseada na agricultura, na pecuária e nas pilhagens. Quando as terras se esgotavam, partiam à procura de outras. As áreas cultiváveis e os bosques eram de uso comum aos habitantes das aldeias. Apenas os rebanhos permaneciam como propriedade particular, constituindo a principal riqueza dos guerreiros.
Por volta do século IV, a "Assembléia dos Guerreiros" praticamente desaparecera entre os bárbaros, substituída por um "Conselho de Nobres". O contacto cada vez maior com o Império levara-os a assimilar bastante a vida económica, a hierarquia social, a disciplina militar e a religião dos romanos (muitos bárbaros haviam-se convertido ao Arianismo, ramo do Cristianismo considerado herético pelo Concílio de Nicéia, realizado em 325). Mesmo assim, as suas comunidades ainda eram bem rudimentares e quase todas desconheciam a escrita.
A partir de fins do século IV, pressionados pelos hunos, povo nômade vindo da Ásia Central, as tribos germânicas migraram em massa e de uma forma não pacífica para o interior do Império Romano do Ocidente. Suevos, alanos, burgúndios, francos, vândalos e visigodos penetraram, saquearam e ocuparam a Gália, a Península Ibérica, a África e a Itália. Anglos, saxões e jutos tomaram a Britânia. Para defenderem Roma dos sucessivos ataques de determinadas tribos, os Imperadores recorriam ao auxílio de outros chefes bárbaros, ficando à sua mercê. As invasões germânicas trouxeram desordem, destruição, fome e pilhagem ao já decadente Império Romano, precipitando a sua desintegração no final do século V.
Os povos germânicos não estavam organizados socialmente em Estados, mas em comunidades tribais.
A estrutura social básica era a família monogâmica, cujo poder absoluto era confiado ao pai. Depois, vinham os clãs, compostos pela reunião de famílias aparentadas, com ascendentes comuns. Finalmente, vinham as tribos, formadas pelo agrupamento de vários clãs. O órgão público mais importante de cada tribo era a "Assembléia dos Guerreiros", que deliberava sobre assuntos como a declaração de guerra ou de paz, a libertação de prisioneiros, os crimes de traição e a expulsão de membros da tribo.
Nas tribos germânicas, os chefes (reis) exerciam funções religiosas, militares e judiciais. Embora sua autoridade se submetesse à Assembléia, esses chefes assumiam poderes quase absolutos em tempos de guerra. Além disso, tinham o direito de manter uma tropa pessoal (séquito), composta de experientes e fieis guerreiros, que se tornou, com o tempo, cada vez mais numerosa.
A partir do século I de nossa era, podem-se distinguir nessa sociedade quatro classes sociais:
Os germanos não conheciam cidades nem Estado. A mais importante instituição política era a "Assembléia dos Guerreiros" da tribo, que decidia sobre a guerra, a paz, a libertação dos escravos e escolhia o rei, com função religiosa e militar. Os principais chefes desenvolveram o costume de manter uma "escolta" ou "séquito" de guerreiros, ligados ao líder por um juramento de fidelidade. Em caso de ataques e lutas, eram recompensados com o produto das pilhagens, dando origem a uma nobreza possuidora de terras e escravos.
Povos germânicos migrantes se espalharam por toda a Europa na Antiguidade tardia e na Alta Idade Média. As línguas germânicas se tornaram dominantes ao longo das fronteiras romanas (Áustria, Alemanha, Países Baixos e Inglaterra), mas nas províncias romanas ocidentais, os imigrantes germânicos adotaram os dialetos latinos (línguas românicas). Além disso, todos os povos germânicos converteram-se, ao seu tempo, ao cristianismo. Os povos germânicos exerceram uma posição de importância na transformação do Império Romano na Europa da Idade Média, contribuindo no desenvolvimento de uma identidade comum, história e cultura que transcenderam as fronteiras lingüísticas.
Várias etimologias para a designação latina GERMANI são possíveis. Como adjetivo, GERMANI é simplesmente o plural do adjetivo GERMANVS (a partir de germen, "semear, disseminar", "desdobramento"), que tem o sentido de "parente" ou "aparentado".[2] Como um etnônimo, a palavra é comprovada pela primeira vez em 223 a.C. na inscrição de Fasti Capotolini, DE GALLEIS INSVBRIBVS ET GERM, onde ela simplesmente se refere a povos "próximos" ou relacionados aos gauleses. Se o nome próprio posterior GERMANI deriva desta palavra, a referência a este uso deve ser baseada na experiência romana de ver as tribos germânicas como aliadas dos celtas.
O nome aparece sendo usado pela primeira vez com o sentido de "povos da Germania, distintos dos gauleses" por Júlio César. Neste sentido, o nome deve ser um empréstimo do exônimo celta aplicado às tribos germânicas, baseado em uma palavra para "vizinho". Uma terceira sugestão deriva a palavra diretamente do nome da tribo dos Hermunduri, que Tácito sugere possa ter sido o nome de uma tribo que mudou de nome após o domínio romano, mas não há indícios para isto.
A sugestão que deriva o nome do termo gaulês para "vizinho" leva ao irlandês antigo gair e ao galês ger, "próximo",[3] ao irlandês gearr, "uma distância curta", a partir do radical proto-celta *gerso-s, também relacionado ao grego antigo chereion, "inferior" e ao inglês gash, "corte, arranhão".[4] O radical proto-indo-europeu deveria ser da forma khar-, *kher-, *ghar-, *gher-, "corte, machucado", do qual também deriva o hitita kar-, "corte, machucado", de onde também o grego character.
Aparentemente, as tribos germânicas possuíam uma auto-denominação (endônimo) que incluía todos os povos germano-falantes e que excluía todos os povos não-germânicos. Os povos não-germânicos (principalmente celtas, romanos e gregos, os cidadãos do Império Romano), por outro lado, eram chamados *walha- (esta palavra sobreviveu em nomes como Wales (Gales), Welsh (galês), Cornwall (Cornualha), Wallons (valões), Vlachs (valáquios), etc.).
O termo genérico *þiuda- ("povo") (ocorre em muitos nomes pessoais tais como Thiud-reks e também no etinônimo dos suecos a partir do cognato do inglês antigo Sweo-ðēod) não é uma auto-designação. No entanto, o adjetivo derivado deste nome, *þiudiskaz ("popular"), foi usado em referência à língua do povo em oposição à língua latina (mais antigo exemplo registrado em 786). A palavra persiste no alemão Deutschinglês Dutch ("neerlandês"), no neerlandês Duits ("neerlandês") e Diets ("alemão") e no dinamarquês tysk ("alemão"). A partir de c. 875 os escritores latinos referem-se à(s) língua(s) germânica(s) como teutonicus ("teutônico"). Daí o uso inglês da palavra Teutons ("teutões") em referência aos povos germânicos em geral, além da tribo específica dos teutões, derrotada na batalha de Aquae Sextiae em 102 a.C. ("alemão"), no
O conceito de "Germânico" como uma identidade étnica distinta foi indicado primeiramente pelo geógrafo grego Estrabão [1], que diferenciou um grupo bárbaro no norte da Europa, que não era celta. No entanto, foi Posidônio o primeiro a usar o nome, por volta de 80 a.C. em seu desaparecido 30º livro. O nosso conhecimento disto é baseado no 4º livro de Ateneu, que em cerca de 190 citou Posidônio: "Os GERMANI à tarde servem à mesa carne assada com leite, e bebem seu vinho não diluído".
No século I, as obras de Júlio César, Tácito e de outros escritores da época indicam uma divisão dos povos germano-falantes em grupos tribais centralizados em:
- Nos rios Oder e Vístula (Polônia) (tribos germânicas orientais);
- No baixo Reno (istvaeones);
- No rio Elba (irminones);
- Na Jutlândia e nas ilhas dinamarquesas (ingaevones).
Os lingüistas, trabalhando a partir das historicamente conhecidas línguas germânicas, sugerem que este grupo falava o idioma proto-germânico, um ramo distinto da família de línguas indo-européias. As características culturais da época incluem povoações pequenas e independentes e uma economia fortemente baseada na pecuária.
O deslocamento para o sul foi provavelmente influenciado por uma piora no clima da Escandinávia entre 600 a.C. e 300 a.C.. O clima quente e seco do sul da Escandinávia (2 a 3 graus mais quente que hoje), piorou consideravelmente, o que não apenas modificou dramaticamente a flora, mas também forçou as pessoas a mudar seu modo de vida e abandonar suas povoações.
Por volta dessa época, essa cultura descobriu como extrair ferro das jazidas nos pântanos de turfas. Sua tecnologia para obter minério de ferro deve tê-los ajudado na expansão para novos territórios.
A cultura germânica cresceu para sudeste e para sudoeste, sem paradas repentinas, e pode ser diferenciada da cultura dos celtas que habitavam mais ao sul nas regiões do Danúbio e Alpinas no mesmo período.
Primeiros contatos
Estátua de Pier Gerlofs Donia, auto-intitulado "Rei de todos os frísios". Famoso rebelde e combatente da liberdade de tamanho e força lendários.
A penetração germânica no Império Roman
- Primeira fase - Migrações (até o século V): corresponde ao período em que se os povos bárbaros migraram, de forma lenta e pacifica, para os domínios do Império Romano. O próprio governo romano estabelecia acordos com os povos bárbaros, permitindo-lhes fixar-se dentro das fronteiras do Império. Muitos desses germanos chegaram a ingressar em unidades auxiliares do exército romano, somando forças na defesa das fronteiras de Roma. Alguns chefes bárbaros atingiram, inclusive, postos de comando, estando incumbidos de missões militares especiais no interesse do Império. Assim, com o tempo, ocorreu uma progressiva "germanização" do exército romano. Este fato começou a gerar inquietação entre os romanos, a ponto de membros da elite de Roma, tomados pelo medo, mostrarem ao imperador que "estavam sendo protegidos por um exército composto por homens da mesma raça que nossos escravos".
- No governo de Diocleciano (284 a 305), soldados germanos passaram a ser regularmente recrutados para servir nas legiões do Império Romano. As autoridades imperiais procuravam rodear as fronteiras de chefes bárbaros aliados, que mantinham a independência, os usos e os costumes, mas defendiam os interesses romanos diante do mundo germânico e eram recompensados com dinheiro e terras.
- Segunda fase - Invasões (a partir do século V): corresponde ao período em que os povos bárbaros invadiram o Império Romano, por meio de infiltrações ameaçadoras, violentas e brutais. O fator de ordem externa que mais colaborou para desencadear as invasões germânicas foi a chegada, à Europa, dos hunos, que eram guerreiros extremamente ferozes. Povo nômade vindo da Ásia Central, por razões não plenamente esclarecidas, os hunos entraram em conflito com germanos ostrogodos, aniquilando suas estruturas sociais. Fugindo da fúria dos hunos, boa parte dos ostrogodos emigrou em direção ao oeste europeu, para a região ocupada por outro grupo de germanos, os visigodos.
Por volta do século IV, a "Assembléia dos Guerreiros" praticamente desaparecera entre os bárbaros, substituída por um "Conselho de Nobres". O contacto cada vez maior com o Império levara-os a assimilar bastante a vida económica, a hierarquia social, a disciplina militar e a religião dos romanos (muitos bárbaros haviam-se convertido ao Arianismo, ramo do Cristianismo considerado herético pelo Concílio de Nicéia, realizado em 325). Mesmo assim, as suas comunidades ainda eram bem rudimentares e quase todas desconheciam a escrita.
A partir de fins do século IV, pressionados pelos hunos, povo nômade vindo da Ásia Central, as tribos germânicas migraram em massa e de uma forma não pacífica para o interior do Império Romano do Ocidente. Suevos, alanos, burgúndios, francos, vândalos e visigodos penetraram, saquearam e ocuparam a Gália, a Península Ibérica, a África e a Itália. Anglos, saxões e jutos tomaram a Britânia. Para defenderem Roma dos sucessivos ataques de determinadas tribos, os Imperadores recorriam ao auxílio de outros chefes bárbaros, ficando à sua mercê. As invasões germânicas trouxeram desordem, destruição, fome e pilhagem ao já decadente Império Romano, precipitando a sua desintegração no final do século V.
Características
A estrutura social básica era a família monogâmica, cujo poder absoluto era confiado ao pai. Depois, vinham os clãs, compostos pela reunião de famílias aparentadas, com ascendentes comuns. Finalmente, vinham as tribos, formadas pelo agrupamento de vários clãs. O órgão público mais importante de cada tribo era a "Assembléia dos Guerreiros", que deliberava sobre assuntos como a declaração de guerra ou de paz, a libertação de prisioneiros, os crimes de traição e a expulsão de membros da tribo.
Nas tribos germânicas, os chefes (reis) exerciam funções religiosas, militares e judiciais. Embora sua autoridade se submetesse à Assembléia, esses chefes assumiam poderes quase absolutos em tempos de guerra. Além disso, tinham o direito de manter uma tropa pessoal (séquito), composta de experientes e fieis guerreiros, que se tornou, com o tempo, cada vez mais numerosa.
A partir do século I de nossa era, podem-se distinguir nessa sociedade quatro classes sociais:
- Nobreza: ocupava postos de direção na tribo;
- Homens livres: classe composta pelos guerreiros portadores de armas e com direito de expressar suas opiniões nas assembléias;
- Homens semi-livres: classe constituída por membros de populações vencidas em guerra, excluídas do povo livre pelo fato de não pertencerem aos clãs tribais;
- Escravos: formados por prisioneiros de guerra, por filhos de escravos e por devedores insolventes.
Os germanos não conheciam cidades nem Estado. A mais importante instituição política era a "Assembléia dos Guerreiros" da tribo, que decidia sobre a guerra, a paz, a libertação dos escravos e escolhia o rei, com função religiosa e militar. Os principais chefes desenvolveram o costume de manter uma "escolta" ou "séquito" de guerreiros, ligados ao líder por um juramento de fidelidade. Em caso de ataques e lutas, eram recompensados com o produto das pilhagens, dando origem a uma nobreza possuidora de terras e escravos.
Povos Bárbaros Em volta do Império Romano viviam povos a quem os Romanos chamavam "Bárbaros" por não falarem latim nem terem os mesmos hábitos. A partir do século III começaram a deslocar-se para Oeste, invadindo o Império e derrotando as legiões romanas. Assim se deu a queda do Império Romano a Ocidente. No século V (ano de 409) passaram pela Península Ibérica Alanos e Vândalos, a caminho do Norte de África, e Suevos e Visigodos que aqui se estabeleceram. No entanto, após anos de guerra, os Visigodos venceram os Suevos, passando a dominar toda a Península. A capital do reino dos Visigodos era Toledo. A pouco e pouco, os Visigodos foram adoptando o modo de vida romanizado dos povos peninsulares, tendo-se até convertido ao Cristianismo. | Mapa das invasões bárbaras | |
| Cena de batalha corpo a corpo | guerreiro visigodo | |
Os Reinos Bárbaros
A Formação dos Reinos BárbarosA decadência do Império Romano do Ocidente foi acelerada pela invasão de povos bárbaros. Bárbaros era a denominação que os romanos davam áqueles que viviam fora das fronteiras do Império e não falavam o latim. Dentre os grupos bárbaros destacamos os:
Germanos: de origem indo-européia, habitavam a Europa Ocidental. As principais nações germânicas eram: os vigiados, ostrogodos, vândalos, bretões, saxões, francos etc.
Eslavos: provenientes da Europa Oriental e da Ásia, compreendiam os russos, tchecos, poloneses, sérvios, entre outros.
Tártaro-mongóis: eram de origem asiática. Faziam parte deste grupo as tribos dos hunos, turcos, búlgaros, etc.
Os Germanos
Entre os povos bárbaros, os germanos foram os mais significativos para a formação da Europa Feudal.
A organização política dos germanos era bastante simples. Em época de paz eram governados por uma assembléia de guerreiros, formada pelos homens da tribo em idade adulta. Essa assembléia não tinha poderes legislativos e suas funções se restringiam à interpretação dos costumes. Também decidia as questões de guerra e de paz ou se a tribo deveria migrar para outro local.
Em época de guerra, a tribo era governada por uma instituição denominada comitatus. Era a reunião de guerreiros em torno de um líder militar, ao qual todos deviam total obediência. Esse líder era eleito e tomava o título de Herzog.
Os germanos viviam de uma agricultura rudimentar, da caça e da pesca. Não tendo conhecimento das técnicas agrícolas, eram seminômades, pois não sabiam reaproveitar o solo esgotado pelas plantações. A propriedade da terra era coletiva e quase todo trabalho era executado pelas mulheres. Os homens, quando não estavam caçando ou lutando, gastavam a maior parte de seu tempo bebendo ou dormindo
A sociedade era patriarcal, o casamento monogâmico e o adultério severamente punido. Em algumas tribos proibia-se até o casamento das viúvas. O direito era consuetudinário, ou seja, baseava-se nos costumes.
A religião era politeísta e adoravam as forças da natureza. Os principais deuses eram: Odim, o protetor dos guerreiros; Tor, o deus do trovão; e Fréia, a deusa do amor. Acreditavam que somente os guerreiros mortos em combate iriam para o Valhala, uma espécie de paraíso. As Valquírias, mensageiras de Odin, visitavam os campos de batalha, levando os mortos. As pessoas que morriam de velhice ou doentes iriam para o reino de Hell, onde só havia trevas e muito frio.
Os Reinos Bárbaros
Devido à expansão do Império, a partir do século I, os romanos mantinham contato pacífico com povos bárbaros, principalmente os germanos. Muitos desses povos migraram para o Império Romano e chegaram a ser utilizados no exército como mercenários.
Porém, no século V, os germanos foram pressionados pelos belicosos hunos.
Os hunos, de origem asiática, deslocaram-se em direção à Europa e atacaram os germanos, levando-os a fugir. Estes, acabaram por invadir o Impéio Romano, que enfraquecido pelas crises e guerras internas, não resistiu às invasões e decaiu. No antigo mundo romano nasceram vários reinos bárbaros.
"(...) Não têm eles (os hunos) necessidade de fogo nem de comidas temperadas, mas vivem de raizes selvagens e de toda espécie de carne que comem meio crua, depois de tê-la aquecido levemente sentando-se em cima durante algum tempo quando estão a cavalo. Não têm casas, não se encontra entre eles nem mesmo uma cabana coberta de caniço. Vestem-se panos ou peles de ratos do campo. (...) Nenhum cultiva a terra nem toca mesmo um arado. Sem morada fixa, sem casas, erram por todos os lados e parecem sempre fugir com as suas carriolas. Como animais desprovidos de razão, ignoram inteiramente o que é o bem e o que é o mal; não têm religião, nem superstições; nada iguala sua paixão pelo ouro."
Dos reinos bárbaros que se formaram na Europa, os principais foram:
Reinos dos Visigodos: situado na península ibérica, era o mais antigo e extenso. Os visigodos ocupavam estrategicamente a ligação entre o Mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico, que lhes permitia a supremacia comercial entre a Europa continental e insular.
Reino dos Ostrogodos: localizam-se na península Itálica. Os ostrogodos se esforçaram para salvanguardar o patrimônio artistico-cultural de Roma. Restauraram vários monumentos, para manter viva a memória romana. Conservaram a organização político-administrativa imperial, o Senado, os funcionários públicos romanos e os militares godos.
Reino do Vândalos: o povo vândalo atravessou a Europa e fixou-se no norte da África. Nesse reino houve perseguição aos cristãos, cujo resultado foi a migração em massa para outros reinos, provocando falta de trabalhadores, e uma diminuição da produção.
Reino dos Suevos: surgiu a oeste da península Ibérica e os suevos viviam da pesca e da agricultura. No final do século VI, o reino foi absorvido pelos visigodos, que passaram a dominar toda península.
Reino dos Borgúndios: os borgúndios migraram da Escandináva, dominaram o vale do Ródano até Avinhão, onde fundaram o seu reino. Em meados do século VI, os borgúndios foram dominados pelos francos.
Reino do Anglo-Saxões: surgiu em 571, quando os saxões venceram os bretões e consolidaram-se na região da Bretanha.
No processo de invasão e formação dos reinos bárbaros, deu-se ao mesmo tempo, a "barbarização" das populações romanas e a "romanização" dos bárbaros. Na economia, a Europa adotou as práticas econômicas germânicas, voltada para a agricultura, ode o comércio era de pequena importância.
Apesar de dominadores, os bárbaros não tentaram destruir os resquícios da cultura romana; ao contrario, em vários aspectos assimilaram-na e revigoraram-na. Isso se deu, por exemplo, na organização política. Eles que tinham uma primitiva organização tribal, aodtaram parcialmente a instituição monárquica, além de alguns mecanismos e normas de administração romana. Muitos povos bárbaros adotaram o latim com língua oficial. Os novos reinos converteram-se progressivamente ao catolicismo e aceitaram a autoridade da Igreja Católica, à cabeça da qual se encontrava o bispo de Roma.
Com a ruptura da antiga unidade romana, a Igreja Católica tornou-se a única instituição universal européia. Essa situação lhe deu uma posição invejável durante todo o medievalismo europeu.
Bárbaro é um termo pejorativo para se referir a uma pessoa que não é ou foi civilizada, geralmente indicando um membro de uma determinada nação ou grupo étnico - geralmente uma sociedade tribal - vista por integrantes de uma civilização como inferiores, ou admirados como selvagens nobres.
O termo se origina na Antiguidade Clássica, com as civilizações grega e romana, porém a noção é encontrada em diversas outras civilizações fora da Europa
O termo se origina na Antiguidade Clássica, com as civilizações grega e romana, porém a noção é encontrada em diversas outras civilizações fora da Europa
Origem do termo
A palavra "bárbaro" provem do grego antigo, βάρβαρος, e significa "não grego". Era como os gregos designavam os estrangeiros, as pessoas que não eram gregas e aqueles povos cuja língua materna não era a língua grega. Principiou por ser uma alusão aos persas, cujo idioma cutural os gregos entendiam como "bar-bar-bar".[1] Os romanos também passaram a ser chamados de bárbaros pelos gregos.Porém, foi no Império Romano que a expressão passou a ser usada com a conotação de "não-romano" ou "incivilizado". O preconceito perante os povos que não compartilhavam os mesmos hábitos e costumes é natural dos habitantes dos grandes centros econômicos, sociais e culturais, e caracteriza-se pelo etnocentrismo. Atualmente, a expressão "bárbaro" significa não civilizado, brutal ou cruel. Era um termo pejorativo que não condizia com a realidade pois, apesar de não compartilharem de alguns aspectos da cultura romana e não falarem o latim, tais povos tinham cultura e costumes próprios.
Cada um dos povos chamados "bárbaros" era bastante distinto e esta designação abrangia tanto os hunos, de origem oriental, como povos germânicos, como os godos, e celtas, como os gauleses.
Particularmente foram chamados de bárbaros os povos de origem germânica que, entre 409 e 711, nas migrações dos povos bárbaros, invadiram o Império Romano do Ocidente, causando sua queda em 476 d.C.
As invasões se deram em duas ondas principais. A primeira com penetração dos bárbaros e a assimilação cultural romana. Os bárbaros tiveram uma certa "receptividade" a ponto de receber pequenas áreas de terra. Com o passar do tempo, seus costumes foram mesclando-se com os costumes romanos.
Uma segunda leva foi mais vagarosa, não teve os mesmos benefícios dos ganhos de terra e teve seu contingente de pessoas aumentado devido à proximidade das terras ocupadas com as fronteiras internas do Império Romano.
Os chamados bárbaros também foram responsáveis por algumas mudanças físicas e culturais da própria Grécia, já que, ao haver algumas "invasões concedidas" pelo próprio comando da Grécia, alguns povos não-gregos foram à cidade, lá estabeleceram estadia e, de lá, promoveram construções importantes e contribuíram de alguma forma com a cultura do local.
Os bárbaros na Península Ibérica
Lista de Povos Bárbaros
Invasões bárbaras do Império Romano, mostrando a Batalha de Adrianópolis.
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